San Blas - O mundo dos Kuna Yala

Realize um vôo de 20 minutos em um avião desde a cidade do Panamá até a comarca Kuna Yala e faça uma viagem no tempo. Translade-se a um mundo onde o tempo parou em uma tarde ensolarada em frente ao mar, junto a um povo que têm mantido seus costumes e tradições ao longo dos séculos. Visite o mundo dos kuna!

Também chamada de comarca Kuna Yala ou Comarca San Blas, com certeza você poderá passar um ano completo explorando todas as 365 ilhas deste arquipélago de sonhos, cujos nomes são tão exóticos quanto Ustupu, Ailigandi, Ukupseni, Nargana, Nalunega...

Situada a oeste da pricincia de Colón, adjacente ao territorio colombiano, a maior parte da população desta comarca se concentra nas Ilhas, mais da metade da população do Kuna Yala vivem no meio do mar Caribenho. Os Kuna são originarios da Sierra Nevada de Santa Marta em Colômbia. Por pressões de outros grupos emigraram até a região do Atrato y del Darién, e posteriormente a este arquipelago.

Ilha Kuna Yala

Para os Kuna, a terra é a mãe de todas as coisas (...e o dinheiro é o pai). Ela é a guardiã de tudo o que existe e representa o espírito, a força e o vigor de sua cultura. Por isso é tão importante para esse povo cuidar do meio ambiente, não abusar do mesmo e essa sempre foi a principal luta, manter sua autonomia na região e defender o ambiente em que vivem. Só assim eles têm conseguido com o passar dos anos preservar sua cultura e diversidade biológica da região, apesar de toda a força do turismo emergente de San Blás.

 

Ilha San Blás

DESTINO: KUNA YALA

Paisagens soberbas que de nada perdem para os outros destinos caribenhos, o que mais fascina aos "wagas" (pessoas que não são kuna) são os ancestrais tradicionais a este povo. Uma das práticas culturais que mais chamam a atenção dos visitantes é a de que as moças não recebem seu nome até que cheguem a puberdade. Desde o seu nascimento até este momento, o mais importante na vida das mulheres Kuna, são chamadas por um apelido.

Mulher Kuna Yala

Outro aspecto que intriga a turistas é o alto indice de albinismo que acontece na comarca. Estudiosos afirmam que isto ocorre pois os Kuna nunca se casam fora de sua comunidade. Os filhos da lua, como se chamam os albinos, são referenciados e tratados como seres especiais. Como resultado deste tratamento preferencial, os albinos desenvolvem características próprias de verdadeiros líderes, chegando a desempenhar papéis de protagonistas na vida de suas comunidades, o que reforça a crença popular de que não são seres comuns. A cultura Kuna tem sido objeto de muitos estudos e esta cultura determina um paple muito importante na vida deste povo, até o ponto de se rebelar contra as autoridades panamenhas para defender-la. Este foi exatamente o ocorrido durante a Revolução de Tule de 1925. Os líderes Kunas Nele Kantule e Simral Colman chamaram o seu povo a rebelar-se contra as autoridades locais, especificamente a policia, que não respeitava suas tradições e pretendia força-los a assimilar uma cultura predominante no resto do país. Esta rebelião é lembrada a cada ano, no mês de fevereiro, onde as comunidades recriam os acontecimentos daquela epoca em que levantaram suas vozes para defender seu valioso legado cultural.

Esta rica herança é preservada principalmente pelas mulheres, que são as guardiãs das tradições. O bem estar de sua familia é refletido em sua vestimenta tradicional com um tecido em formato de tela de cores brilhantes amarrado a cintura, e uma vistoso lenço vermelho sobre a cabeça. Entre os acessorios que completam o figurino diário estão colares, anéis e braceletes de ouro. Assim mesmo, não bastando tantos enfeites, entopem seus pulsos e tornozelos com pulseiras confeccionadas com linhas coloridas. Isto as ajuda a parecer mais magras nessas partes do corpo, o que em sua cultura constitui um símbolo de beleza.

Enfeites Kuna Yala

A economia da comarca é centrada na venda de cocos, os quais vendem principalmente a barcos colombianos que transitam na região, ou trocam por comida, roupas, acessórios como óculos escuros para enfrentar o vigoroso sol caribenho. É claro que é válido e fundamental lembrar que nos últimos anos o turismo se converteu em uma fonte de receita importante para algumas famílias dentro da comarca. Os habitantes dos povoados das ilhas cobram entre 3 e 5 dólares em conceito de cota de visita aos turistas. Além do mais você deverá pagar um dólar por cada foto que apareça um kuna.

Homens Kuna Yala

Para os kunas e para os que visitam sua maravilhosa terra, ainda não existe um turismo massivo a ponto de converter a beleza natural em artificial, os atrativos são maiores para o turismo ecológico devido á vasta variedade de ecosistemas convivendo em comum. Apeasr do crescente beneficio trazido pela indústria do turismo, os Kuna protegem com vigor seu paraíso natural. Uma antiga tradição diz sobre a existência de oito minerais que mantêm a mãe terra: ouro, prata, ferro, entre outros. Se eles permitirem estes minerais serem exportados, os rios e lagos secarão e as terras não mais produzirão.

Crianças Kuna Yala

Para chegar ás ilhas kunas você poderá pegar um vôo de três Cias aéreas que oferecem transporte a esta região desde a Cidade do Panamá: Aéreo Taxi, Ansa e Aviatur. As três contam com vôos diários que saem direto do Aeroporto de Albrook com destino a vinte diferentes destinos nos Kuna Yala. Não se preocupe em fazer reservas para seu vôo, translado no bote e hospedagem, lá tudo acontece na hora. Existem trucks que fazem o percurso desde a Cidade do Panamá até o outro lado do país, no território Kuna, o valor por pessoa era em janeiro de 2009 de U$ 50,00 para a ida e volta. Lembre-se que nas Ilhas é cobrada hospedagem por parte dos Kuna (média de U$ 20,00) com três refeições inclusas (arroz, pescado, bananas) e que somado a isto você deve pagar 1 dólar para cada dia que se hospedar como impostos, e não peça descontos, eles com certeza não aceitarão.

Palmeiras das Ilhas de San Blas

Balsa Kuna Yala

 

Habitação das Ilhas de San Blás

O arquipelago de San Blás abriga centenas de ilhas nas quais os visitantes ficaram cativados pela riqueza cultural deste étnico grupo. É importante recomendar aos turistas que sempre tratem de manter atitudes respeitosas á cultura deste orgulhoso e acolhedor povo.

Luiz Jr. Fernandes
Autor

Luiz Jr. Fernandes

Analista de TI, empresário, fotógrafo e viajante.
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