Cada dia que publico uma nova entrada aqui no Blog Boa Viagem , mais próximo eu fico dos fins das minhas publicações sobre a minha primeira viagem internacional – um mochilão de cerca de dois meses pela Colômbia e países da América Central. E eu vou publicando tudo tão devagarzinho por um motivo – quando escrevo sobre essas viagens que faço é como se eu tivesse uma nova oportunidade de visitar cada local que visitei, que registrei em minhas fotografias e reviver essas melancólicas recordações me dão forças para emitir novos tickets tendo a certeza de que não conseguirei reviver a intesidade da primeira viagem em nenhuma outra, mas tendo a certeza de que no meu dia a dia as viagens me transformam para uma pessoa melhor, que conhece bem a casa onde vive e que não tem limites ou fronteiras que possam segurar a busca pelo conhecimento.

E antes mesmo de iniciar minhas matérias sobre a Nicarágua, um dos países que mais me marcou na América Central, eu gostaria muito de abrir um post exclusivamente para falar do método mais eficaz de se locomover nesse continente – os chicken bus. Eu disse que eram eficazes, mas muito pelo contrário são totalmente inseguros e as condições de viagem não são as melhores que já fiz! Muito diferente dos semi-coches da Argentina, os coletivões da América Central têm uma característica muito exclusiva: eles são a prova da reciclagem dos Estados Unidos sob seu quintal – a América Latina. Imagine se deparar com o antigo ônibus escolar amarelo americano espalhados pelos principais terminais rodoviários dos países da América Central e você conseguirá entender o que esse post vem compartilhar. Eu considero que realmente viajar nesses ônibus foram experiências fantásticas, pois sem eles eu não teria conhecido sequer o Panamá e nunca conseguiria chegar até Flores de Tikal, ou ainda a El Tunco em La Libertad (El Salvador). Os chicken-buses me ajudaram ao extremo! E na minha situação exclusiva eles foram essênciais pois estava viajando totalmente sem planejamento e horários, de modo que quando decidia sair de uma cidade, rumava até o terminal rodoviário mais próximo, fazia uma pesquisa rápida de preços e já descolava o horário mais eficaz para a viagem em questão e quando era a hora de partir, lá estava eu e o chicken bus escolar americano largardo na América Central para me conectar ao lugar desejado com a maior eficácia possível pelo mais baixo custo aceitável.

Detalhes dos coletivos na América Central
Detalhes dos coletivos na América Central

Não imagine você que é uma missão para os fracos conseguir visitar Panamá, Costa Rica, Nicarágua, Honduras, Guatemala e El Salvador em um ônibus como os das fotos dessa matéria pois não é! Você tem que ficar ligado a todo momento pois existem diversas formas do seu roteiro de aventura se transformar em um verdadeiro pesadelo epopéico Central Americano. As situações são várias: A primeira de todas elas – o risco de ser assaltado. É muito fácil disso ocorrer por conta da situação na qual você viaja dentro do coletivo. Veja bem, o apelido “chicken bus”, remetêndo a ônibus de galinha, não é pelo motivo de você viajar junto com animais tais como porcos, gatos, cachorros e galináceos em geral (se bem que isso é normal acontecer…), mas pelo motivo da disposição dos assentos dentro do coletivo. Eles são feitos justamente para caber o máximo de passageiros possível, então não se surpreenda se no começo da viagem você sentar em um bancão sozinho todo pra você e no final existirem mais 5 pessoas compartilhando o mesmo banco com você…, é como nos galinheiros, sempre cabe mais um…, e é aí que entra o perigo, pois não é difícil sentar um marginal do seu lado e te empunhalar o cuchillo na barriga e exigir tudo que você tem nos bolsos. E esse é só o primeiro dos riscos…

A segunda forma que tentaram me passar a perna foi o seguinte – ao tentar barganhar os custos para viajar direto com o motorista e cobrador, eles sempre tentavam cobrar mais caro de quem estava mochilando, ou era estrangeiro, do que dos locais e era fácil detectar e ficar contrariado com a situação. Sempre que isso acontecer, recomendo que opte por não viajar com esse ônibus e tente esperar o próximo, barganhar, discutir pelos seus direitos de poder pagar o mesmo valor que os locais. Fique de olho também na forma na qual vão carregar a sua bagagem. Se possuir uma mochila muito grande, pode ter certeza que ela vai viajar no teto do ônibus (os bagageiros ficam em cima) e daí é fácil perder o controle da situação, já que sempre existem pessoas parando em pontos diferentes do seu, e nessa história é sempre bom ficar de olho nas bagagens que descem pra ter certeza que a sua estará lá em cima quando você chegar ao seu destino. E não precisa neim de mencionar que é interessantíssimo que os seus pertences mais valiosos viagem grudados a você, passaporte, documentos, cartões de crédito devem estar em porta-dólar e não hostente seus pertences dentro de viagens muito longas dentro de coletivos como esses, pois é fácil ser abordado quando menos se espera.


Estilão do autêntico Chicken Bus

Se seus planos são parecidos com os que foram os meus durante minha estada nesse continente e pretende viajar por vários países, economizando ao máximo nos deslocamentos e desfrutando o melhor de cada lugar, então considere viajar com a máxima cautela possível com os locais nos “chicken bus”. Existem lugares praticamente inalcançáveis na América Central sem esse tipo de locomoção. Eu usei esse tipo de ônibus para viajar no Panamá, desde a cidade do Panamá até Bocas del Toro. De Bocas até a fronteira com a Costa Rica (Guabito), depois da cidade de San Jose até a fronteira com a Nicaragua. De San Juan del Sur até Ometepe e de lá depois até Managua. A viagem mais comprida foi da capital da Nicarágua até a capital de Honduras, Tegucigalpa, feita também com chicken bus. Dentro da Guatemala para ir até Antigua e Flores e depois para chegar até El Salvador, onde existe um pouco mais de desenvolvimento, não se vê tantos coletivos quanto esses pelas ruas, mais que também não deixam de existir por completo. Eu me recordo de ter viajado de Santa Tecla a La Libertad em El Savador em ônibus como esses.


Coletivão na América Central tem nome – chicken bus

Finalizando, transcrevo aqui minhas recomendações para os viajantes mochileiros (e mais ainda para os que não são) para ficarem sempre de olho aberto com tudo que acontece ao seu redor, justamente tentando inibir a ação dos gatunos da América Central e frustando as possibilidades de qualquer incidente destruir com seu fanástico roteiro em um continente tão pequeno, mas tão gigantesco. Você já passou por experiências como essas?? Viveu situações parecidas ou tem algumas dúvidas sobre como viajar bem em meios de locomoção tão “exóticos”?? Então não esqueça de manifestar suas opiniões deixando um comentário na caixa logo abaixo!


Autor
Luiz Jr. Fernandes
Sou um analista de sistemas, fotógrafo, autor deste blog e viajante profissional. Já conheci mais de 70 países em todos os continentes do mundo. As minhas matérias são 100% exclusivas, inspiradas em experiências reais adquiridas nos destinos que visito. Obrigado por ler e acompanhar o meu trabalho.
Comentários do Facebook
6 comentários publicados
  1. Estou amando suas informações sobre a viagem à América Central!  Vou montar um roteiro p eu fazer a minha.

    Parabéns p qualidade de suas informações!

  2. Muito boas as suas dicas… Estou muito interessada em fazer esta viagem – até o próximo ano – porém sozinha(difícil encontrar quem queira). ACHA Q SERIA MUITO ARRISCADO? Sou professora de Geografia aposentada, gosto de fazer este tipo de viagem e sei q tem muito perrengue, mas gosto dos desafios. abç

  3. Olá! Planejo viajar pela América Central em dezembro/janeiro, e tô adorando o site, pegando várias dicas! Uma dúvida, qual a média dos preços dos Chicken Bus? Muito obrigada!

    1. Oi Edilma, tudo joia!? Que legal saber que você vai se aventurar pela América Central. O custo desse transporte varia conforme a distância a ser percorrida. Eu acredito que a melhor forma é ir pingando de cidade em cidade até conseguir completar o trajeto completo, assim você pagará uma micharia, mas pode não ser conveniente ficar mudando de coletivo de cidadezinha em cidadezinha. Eu me lembro que o mais caro foi algo em torno dos 5 dólares para rodar quase 400km. Espero ter ajudado! Abraço e boa viagem!

  4. Olá Luiz. Estava lendo postagens de que é impossível alugar um carro em Honduras e devolvê-lo no Panamá. Um carro facilitaria muito a vida para deslocar-se de um país a outro. Qual a sua sugestão para se locomover sem ser por avião? Gostaria de conhecer Honduras, Nicarágua, El Salvador, Costa Rica e Panamá em aprox. 18 dias. Pode me ajudar? Abraço.

    1. Oi Rodrigo, obrigado por sua visita e por deixar um comentário aqui no blog 😀 Na época que fiz essa viagem, uns 10 anos atrás, era muito difícil conseguir alugar um carro para cruzar as fronteiras, trâmites burocráticos, alta periculosidade nessas fronteiras da América Central, então acabamos fazendo da maneira mais ‘roots’ possível, mas acho que hoje em dia até é possível encontrar um método para subir até outros países com um carro alugado no Panamá por exemplo (agora o custo disso eu não sei informar). Não existe método mais funcional do que usando os chicken buses. Eles são pequenos métodos de locomoção em massa, super funcionais para os nativos dessa região. Além de econômicos, fazem muito bem o serviço deles. Acho que a melhor forma é essa mesmo viu amigo, indo de estação em estação, trocando de chicken bus para seguir até a próxima e por aí vai rompendo. Outra dica é tentar comprar passagem pros trechos mais longos em ônibus noturno. Tem vários trechos que dá pra fazer assim. Vai depender muito do seu itinerário e das atrações que gostaria de ver, mas tente marcar algumas cidades como base para a sua expedição e mande ver entre elas usando o que tiver ao seu alcance (vale até carona!) sem dúvidas vai ser muito divertido! Se precisar de mais algum auxílio não hesite em deixar um novo comentário. Abração e boa viagem!

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