Depois de conseguir a certificação de mergulhador Open Water PADI com a Ocean Legends na Ilha de Oahu, no Havaí, eu já estava pronto para seguir adiante com a viagem, visitando outras ilhas deste fantástico arquipélago, só que antes de voar para Maui, eu ainda tinha um prazinho e resolvi explorar melhor as atrações que existem mais próximas a Waikiki.

Durante o tempo livre que tinha nas minhas noites em Oahu, fiz questão de visitar os shoppings mais próximos e alguns dos melhores lugares para compras no Havaí (documentando inclusive!), caminhei bastante neste bairro de uma ponta a outra, mas um lugarzinho que chamou a atenção e mereceu uma matéria exclusiva foi a Hanauma Bay, ou Baía de Hanauma, localizada a alguns minutos de ônibus do centrinho de Waikiki.

Para chegar a Hanauma Bay não tem muito segredo – basta pegar o ônibus com o número 22 em qualquer ponto de Waikiki – é legal certificar-se com o motorista antes de seguir viagem. Uma vez devidamente acomodado em sua poltrona, relaxe e aproveite o visual desse transfer que dura em média uns 30 minutos (ressalve e releve o tráfego intenso dos horários de rush)

O desembarque é sempre super tranquilo, os turistas descem no ponto próximo á entrada da baía, e eis que em alguns segundos depois de descer do coletivão, eis a beleza que realmente impressiona quem visita esse lugar pela primeira vez…

Baía de Hanauma - Hanauma Bay em Oahu - Havaí
Baía de Hanauma – Hanauma Bay em Oahu – Havaí

Uma baía que até certo ponto pode ser considerada rasa, de origem vulcânica, banhada por águas de tons entre safira e turquesa, esta é uma atração completamente imperdível para quem visita as Ilhas do Havai. Recomendado como um dos melhores lugares para fazer snorkel nas proximidades de Honolulu, a Hanauma Bay é o local mais indicado para quem quer mergulhar livremente por águas cristalinas.

Para garantir a preservação deste local, riquíssimo em fauna e flora marinha, o governo dos Estados Unidos designou em 1967 que a Baía de Hanauma seria um Distrito de Conservação de Vida Marinha/Parque Estadual Marinho, e desde então criou-se estrutura e controle de acesso turístico ao local. A taxa de admissão paga foi de U$ 7,50 (para crianças era grátis), o horário para acesso das 6 da manhã até as 6 da tarde, e paga-se um dólar extra pelo estacionamento no local.

Visão Geral da Baía de Hanauma
Visão Geral da Baía de Hanauma

Uma vez acertada a entrada, não pense que é correr pro abraço e pular na água logo duma vez não! Antes da diversão real, todos os visitantes de primeira viagem são convidados a entrar em um auditório e assistir a um vídeo que narra a história da Baía de Hanauma, como foi formada, quais animais são fáceis de encontrar e como cada um pode fazer sua parte para contribuir na preservação durante a visita.

Antes de cair na água, filminho e um pouco de história
Antes de cair na água, filminho e um pouco de história

Além da história em geral, é interessante seguir as recomendações da filmagem e compreender a apelação deles em buscar ao máximo informar os turistas sobre como preservar aqueles belos corais que marcam o fundo do oceano nas fotos…, a regra número 1 e básica do mergulho livre – NUNCA pise nos corais – além de machucar, eles são uma forma de vida muito sensivel que pode vir a falecer apenas pelo contato com outros seres. Eles recomendam muito aos turistas que não adentrem com comidas e bebidas, pois isso acaba gerando lixo e descontrole ambiental.

Na praia, munido de snorkel e máscara: pronto para explorar o fundo da Baía de Hanauma
Na praia, munido de snorkel e máscara: pronto para explorar o fundo da Baía de Hanauma

Apesar de parecer rasinho, não se engane com a convidativa imagem panorâmica das fotos! Existem lugares entre os corais que podem formar piscinas de até 6 metros de profundidade – cheguei a encontrar algumas com seus pouco mais de 10 metros também. A disparidade é notada quando se está flutuando na superfície, desde que há locais que não conseguem ter 50 centímetros de profundidade, uma missão complicada para quem quer explorar muito a região sem se cortar nos corais – além de máscara e snorkel, recomendaria uma bela wetsuit para proteger o seu corpo, ao menos a rash guard (camisa de manga longa de mergulho, surf ou esportes aquáticos em geral) é indispensável.

Profundidade muito rasa - é necessário cuidado para não machucar nos corais
Profundidade muito rasa – é necessário cuidado para não machucar nos corais

Outro ítem indispensável é uma câmera a prova d’água – a beleza dos cardumes e corais é muito convidativa para quem gosta de fotografar enquanto mergulha! Existem alguns lugares um tanto quanto perigosos na Hanauma Bay, um deles fica localizado ao noroeste da baía, onde correntezas podem arrastar os turistas e provocar afogamentos, mas sempre que a pressão está alta existem bóias alertando e tentando inibir as pessoas a continuarem, afinal de contas não é nada legal arriscar a vida pela diversão.

E tem espaço de sobra pra quem é novato e quer aprender a flutuar com snorkel, ou ainda pra criançada que quer ficar no rasinho só brincando na areia! Existe uma grande área aberta no meio dos corais chamada de keyhole com uma profundidade que não ultrapassa os 3 metros, ideal mesmo para quem quer pegar prática com o mergulho livre.

Vida marinha - alguns dos peixes e corais encontrados no snorkel
Vida marinha – alguns dos peixes e corais encontrados no snorkel

Era muito comum raspar a barriga nos corais. Em alguns pontos realmente a corrente não te deixa remar, é necessário ter bom senso! Também era comum ver as piscinas que surgiam durante a evolução da exploração dos corais, e quando aparecia uma bem convidativa era só ficar por ali apreciando a beleza dos peixes. Um outro detalhe foi perceber que os animais eram sempre arredios. Quando sentiam a presença de um humano, eles faziam questão de sumir na direção contrária, justamente devido a alta atividade de pesca predatória que existiu a alguns anos atrás por ali, ambiente completamente diferente de Fernando de Noronha, onde os cardumes parecem nadar completamente a seu favor.

Boa visibilidade da Hanauma Bay em Oahu no Havaí
Boa visibilidade da Hanauma Bay em Oahu no Havaí

Para encerrar, deixo aqui o questionamento bizarro: qual você acha ser mais seguro – flutuar com o snorkel nas águas tranquilas dessa baía, ou mergulhar com tanques de ar comprimido a profundidades maiores que 15 metros? Acredite ou não, estimado leitor – a quantidade de snorkelers que afogaram em águas havaíanas é infinitamente maior do que a de mergulhadores com cilindro. A diferença básica está no conceito: scuba dive está diretamente relacionada a manter a segurança e mergulhar em equipe, sempre com um dive master, que será o guia responsável pelo grupo enquanto submergidos. Já no caso do snorkel, muitos preferem arriscar fazendo o snorkel sozinho e qualquer ondinha que vier na direção contrária da flutuação pode fazer a pessoa inexperiente se afogar. Qual a solução então? Faça snorkel sempre com um parceiro, até por ser mais divertido, e fique sempre de olho um no outro para evitar qualquer acidente 😉

Depois de algumas horas mergulhando na Baía de Hanauma, sentei em um banco qualquer no belo campo gramado que existe próximo ao estacionamento e fui brindado com a bela composição a seguir…, assim fica fácil compreender os motivos de milhares de turistas desembarcarem no Havaí todos os anos!

Depois do mergulho - contemplação dos pica-paus se alimentando
Depois do mergulho – contemplação de pica-paus pássaros brasileiros no Havaí compartilhando o alimento


Autor
Luiz Jr. Fernandes
Sou um analista de sistemas, fotógrafo, autor deste blog e viajante profissional. Já conheci mais de 70 países em todos os continentes do mundo. As minhas matérias são 100% exclusivas, inspiradas em experiências reais adquiridas nos destinos que visito. Obrigado por ler e acompanhar o meu trabalho.
Comentários do Facebook
2 comentários publicados
  1. Oi Luiz, bacana o post, bem explicativo! Mas eu acho o contrário de vc: acho que os peixes em Hanauma são tão ‘acostumados’ com as pessoas que nunca fogem! Sei lá, sempre que vou lá eles parecem que me perseguem… 😀

    E uma correção: os passarinhos da última foto são cardeais brasileiros, introduzidos no Havaí, e que a maioria das pessoas hj acha que são havaianos. Mas não são: eles são uma espécie que habita no Pantanal brasileiro, como escrevi aqui: http://www.luciamalla.com/blog/2009/08/piado-brasileiro-no-havai.html

    Aloha! 🙂

    1. Oi Lucia! O meu grande pezar nesta viagem ao Havaí foi não ter conseguido encontrar um prazo pra gente se encontrar! Ficou a água na boca de comer alguma coisa bem legal e trocar umas idéias pessoalmente com você, mas como percebeu, terei que voltar mais algumas vezes até essas ilhas para recarregar meu estoque anual de ALOHAS 😀

      Sobre o pássaro eu agradeço demais pela correção! Eles parecem muito com pica-pau! Foi fácil cair nesse erro, porém é um prazer imenso ser corrigido por alguém tão gabaritado em Hawaii quanto você!

      Agora sobre os peixes, sinceramente eu senti uma grande diferença entre os mergulhos que fiz em Noronha com os que realizei no Havaí! Não sei se foi uma vaga impressão, mas os peixes pareciam me evitar – tinham realmente esse receio de aproximar do peixão aqui…, já em Noronha eu era praticamente carregado pelos cardumes. Pode ser uma vaga impressão, mas acredito que a caça predatória livre impõe essa evolução aos animais aquáticos, vi muitos pescadores com arpões mergulhando na apnéia e isso consequentemente faz os bichos terem medo dos humanos, mas tenho que voltar pra comprovar! Obrigadão por acompanhar e comentar!

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