Comidas na Ilha Privada de Fafarua, Atol de Tikehau na Polinésia Francesa

Hoje lhe convido a conhecer um pouco da culinária local da Polinésia Francesa (Tahiti), em uma matéria repleta de iguarias variadas, às quais nos deliciamos em Tikehau, junto com o Patrick, Eva e Faremata na Ilha Privada de Fafarua.

Alguns dias atrás publicamos uma matéria bem interessante sobre a experiência de se hospedar em uma ilha privada na Polinésia Francesa. Contamos a história do casal Patrick e Eva, proprietários do Fafarua Lodge, localizado em uma ilha remota no arquipélago de Tikehau.

Muitos amigos questionaram sobre a nossa alimentação. Parece um pouco complicado compreender que ao visitar a Ilha de Fafarua podemos estar tão distantes da civilização que pode parecer até meio estranho não conseguir obter alguns dos costumes que temos em nosso dia a dia nas cidades desenvolvidas.

Explorando o recife de corais de Tikehau em busca de comida

Muitos podem pensar que estamos à mercê dos recursos ofertados pelo meio ambiente (e não estão errados!), outros podem acreditar que tem um supermercado em cada esquina no meio de um atol (se é que existe esquina, e também não estariam errados com o tanto de chineses que existem espalhados mundo afora).

Saindo para coletar frutos do mar no recife de corais de Tikehau
Patrick me levou pra coletar alimento no recife

Fato é que vivendo isolado da sociedade em uma ilha paradisíaca no meio da Polinésia Francesa, as opções de recursos para a subsistência são de fato muito restritas. Não existem grandes mercados em Tikehau, tampouco será possível encontrar comida ou bebida para comprar no atacado e abastecer a ilha em que se está hospedado com esses recursos facilmente. É tudo muito escasso, mas não é por esse motivo que chega-se a passar fome a qualquer momento, pelo contrário! há comida, de excelente qualidade e em abundância.

O recife de corais vermelho de Tikehau

O recife de corais vermelho de Tikehau
Caminhando no recife vermelho em busca de moluscos

Afinal de contas estamos aqui comentando sobre uma das ilhas com a maior concentração de cardumes da Polinésia Francesa. As pesquisas da equipe de Jacques Cousteau inclusive mencionam que este é o atol com maior abundância de peixes nas ilhas Tuamotu.

Não me leve a mau pelas sandálias cor de rosa ok hahaha! Eu estava despreparado, acreditei que as velhas chinelas havaianas resolveriam, mas eu estava enganado. Foi preciso usar as crocks pois eles são a melhor forma de não mau tratar o recife e também de evitar cortes nos pés. É claro que a gente não pisava nos corais vivos lindos, mas sim no blocão gigantesco que é a barreira de recifes, em lugares que ás vezes estavam secos, outrora com muita água, a foto abaixo mostra exatamente como era recife.

Visual paradisíaco no recife de corais de Tikehau

Caminhando no gigantesco recife de corais de Tikehau
Caminhando no gigantesco recife de corais de Tikehau

Então era preciso ir caminhando devagar, tomando conta dos pés e dos corais, tentando romper entre piscinas naturais e blocos de corais gigantes, tudo com a cor muito avermelhada, parecia uma imensa imagem que havia saído de outro planeta e estávamos ali, caçando comida.

Coletando lagostas para o jantar em Tikehau

Coleta de lagostas para refeição em uma ilha da Polinésia
Coleta de lagostas para refeição em uma ilha da Polinésia

Faremata é especialista na arte de encontrar comida nos corais. Ele saiu em captura de umas lagostas para a nossa refeição. É importante lembrar da consciência ambiental que esse povo tem, eles sabem bem que se a pesca for predatória que não vão perpetuar as espécies ao longo dos anos, então tudo era colhido de uma maneira muito respeitosa, ninguém saia colhendo frutos que ainda não estavam aptos pro consumo, compreende?

Em busca de moluscos para um lanche rápido

Lanche rápido em um atol da Polinésia Francesa
Lanche rápido em um atol da Polinésia Francesa

Enquanto o Faremata ia adiante procurando lagostas encrostadas no recife, Patrick e eu íamos vagarosamente contemplando as piscinas de corais, admirando os cardumes de peixes que encontrávamos "ilhados" e tentando descolar um tira-gosto no meio do caminho. E se a gente conseguiu comer algo?? Tinha até um limãozinho pra poder dar gosto às delícias que a gente ia encontrando pela frente.

Comendo frutos do mar fresco em Tikehau

Fruto do mar recém colhido pronto para o abate em Tikehau
Fruto do mar recém colhido pronto para o abate em Tikehau

O Patrick, assim como eu, é um grande amante de ostras. Então ele estava sempre remexendo em algum lugar ou outro, um verdadeiro coletor! Encontramos ostras frescas que consumimos sem pressa caminhando de um lado pro outro com aquele visual espetacular do atol, que tinha ondas quebrando de um lado e uma gigantesca lagoa do outro.

Estávamos no meio exato do atol, que em alguns lugares é muito fino (e até vazado), e em outros forma gigantescas ilhas, onde no caso de Patrick deu até pra construir um Lodge completo.

Sobrevivência e aproveitamento de recursos do meio ambiente em Tikehau

Caminhando no recife em busca de comida
Caminhando no recife em busca de comida

Ficamos por horas caminhando entre as lacunas do atol, quase sempre estava impressionado com a cor daquela água, tão cristalina e com vida em abundância. Vez ou outra encontrávamos também um tubarãozinho, algumas moreias, muitos cardumes de sargentinhos, mas estávamos interessados era na nossa refeição de mais tarde né, o belíssimo churrasco de lagosta à moda da Polinésia Francesa.

Almoço e jantar com vista da lagoa

Mesa preparada pro almoço na ilha de Fafarua - Tikehau
Mesa preparada pro almoço na ilha de Fafarua - Tikehau

Nossas refeições no Fafarua Lodge eram sempre fartas, tradicionais e com um sabor inesquecível. Algumas refeições pareciam ter saído de pratos de hotéis de altíssimo nível, a Eva cozinhou pratos espetaculares nos jantares, sempre regados a Heinekens e Dom Perriers.

Jantar preparado pela Eva: peixe com vegetais cozidos no vapor
Jantar preparado pela Eva: peixe com vegetais cozidos no vapor

O mais interessante é a maneira na qual a alimentação é preparada e servida. No meu caso, como era o único hóspede nessa ilha privada na oportunidade, decidi viver a experiência como se fosse da família, sempre realizando minhas refeições junto com eles, contudo eu sempre era questionado se gostaria de ter o tratamento como o de um turista que viaja até essa ilha privada e não quer ter intimidades com o casal e as pessoas que vivem com eles na ilha. É uma opção e acredito que ter vivido como membro da ilha fez toda a diferença.

Refeição típica das ilhas Tuamotu

Prato pronto pro almoço na Polinésia Francesa
Prato pronto pro almoço na Polinésia Francesa

No café da manhã Eva preparava várias iguarias deliciosas e servia na mesa que estava ao lado de fora. A brisa constante que vinha da lagoa embalava as minhas manhãs com direito a pães e bolos típicos. Patrick é tão expert que consegue produzir café expresso sombreado pelas árvores de Fafarua.

Vista da lagoa para descansar após o almoço
Vista da lagoa para descansar após o almoço

Ficava maravilhado quando ele me questionava depois das refeições pelo desejo de um expresso, e quando menos esperava já estava lá ele com seu dispositivo "pressurizador de café", extraindo um fresquíssimo café francês que era servido sempre com aquele visual paradisíaco à minha frente.

Salada de peixe cru
Salada de peixe cru

A base da dieta do povo taitiano é o peixe. Que pode ser cru ou assado. O mais comum é o peixe cru mesmo, servido como uma salada, o "Poison Cru", prato nacional da Polinésia Francesa que leva leite de coco, cebolas, tomates e condimentos especiais, comemos praticamente todos os dias. Eu gostava mais sem o leite de coco, era delicioso, verdadeiro sabor do Taiti.

Outro sabor tradicional da Polinésia é o de peixe cru. Eles faziam uma espécie de churrasco bem diferente, interessante a maneira na qual cada cultura consegue produzir comida deliciosa de maneiras alternativas: fogo brando de madeira era ateado até formar brasas firmes.

Peixe assado na brasa
Peixe assado na brasa

Um pedaço de telha era colocado no fogo e por ali ficava até estar muito quente. Depois disso o peixe era lançado já limpo e temperado mas ainda com escamas. Vários pedregulhos de corais mortos, material abundante nas ilhas do atol de Tikehau eram lançados no meio da telha, que aqueciam e ajudavam no cozimento uniforme dos peixes.

Comidas típicas da Polinésia Francesa
Comidas típicas da Polinésia Francesa

Fizemos um passeio em um dia inteiro no meio do atol e paramos para realizar a principal refeição do dia da forma mais natural possível. Comemos com o auxílio das folhas de árvores típicas da região, utilizamos essas mesmas folhas como recursos para manusear e proteger os alimentos, tudo que era descartado era orgânico, não havia uma sacola de plástico ou folha de papel sequer.

Churrasco de Lagostas em Tikehau

Lagostas prontas para o abate em Tikehau
Lagostas prontas para o abate em Tikehau

O resultado do trabalho de Faremata em busca das lagostas para nosso jantar foi algo espetacular. Ele conseguiu animais gigantes perfeitos para o abate. E não pense que isso é algo muito comum não viu, um churrasco como esse é algo de fato muito exclusivo em Tikehau, a base da alimentação é o Poison Cru, peixes assados e até mesmo frango (que comemos frito), contudo o churras de lagosta é sempre realizado em ocasiões especiais.

Lagostas preparadas para churrasco no jantar
Lagostas preparadas para churrasco no jantar

Faremata, que não conversava em inglês com fluência nesta oportunidade, tentava se comunicar comigo na medida do que conseguia, para aprender a se comunicar na nova língua, para me ensinar um pouco de francês, mas acima de tudo para compartilhar os seus conhecimentos na cozinha do Taiti. Ele preparou todo churrasco de ponta a ponta. Acendeu a churrasqueira, preparou um molho condimentado especial à base e manteiga e ervas finas que utilizou para dar sabor às lagostas, me ensinou até mesmo como abater e preparar os animais.

Acompanhamentos para nosso churrasco de Lagosta em Tikehau
Acompanhamentos para nosso churrasco de Lagosta em Tikehau

Dá pra entender por esse relato que essa é uma experiência que vai além de um passeio turístico ou uma hospedagem tradicional. Aprendi com eles algumas habilidades que levarei comigo para sempre!

Lagostas assadas na brasa, prontas para o consumo
Lagostas assadas na brasa, prontas para o consumo

E você pode me perguntar: Luiz, como foi o churrasco. Eu tenho a resposta em apenas uma palavra: MEMORÁVEL, foi algo que definiu um patamar em relação a uma verdadeira experiência gastronômica onde as lagostas foram protagonistas. Você pode fazer uma reserva no Fafarua Lodge clicando aqui.

Luiz Jr. Fernandes
Autor

Luiz Jr. Fernandes

Analista de TI, empresário, fotógrafo e viajante.
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