Coliseu, igrejas e basílicas, Fontana de Trevi em uma noite fria italiana

Minhas primeiras impressões de um país que utilizei como ponte para conhecer o Sudeste da África. Permaneci na Itália por apenas três dias, intensos que me renderam fotos impressionantes e memórias para a posteridade. Quer conhecer como foi o primeiro desses dias? Benvenuto!

Cheguei a Roma em um dia cinzento, frio e molhado. Parecia que o tempo não estava muito a meu favor, mas no fim das contas acabei percebendo que os céus italianos nublados como estavam, não passava de um breve complemento para as minhas primeiras impressões sobre a Europa. O piloto do avião alertava enquanto ainda estávamos nos procedimentos de pouso: "Clima frio e chuvoso, porém não é nada que vá atrapalhar essa tarde na Cidade Eterna". E ele não estava errado. Para quem saiu de uma conexão no Aeroporto Gigantesco de Madri, o Barajas, até que o Fiumicino em Roma era bem singelo, porém ainda colocando todos os aeroportos brasileiros no bolso, com uma pequena ressalva: péssima sinalização.

Quem sai de um voo longo intercontinetal pode ficar meio perplexo ao desembarca e não conseguir encontrar o lugar exato para retirar as bagagens. A língua italiana era constante tanto nas placas de sinalização internas do Fiumicino, quanto na boca das pessoas que me informavam sobre os lugares onde deveria ir para sumir da região do aeroporto e chegar até o coração de Roma, no terminal de Metro Roma Termini. Essa é uma tarefinha de casa que merece ser bem feita, e ao menos recomendo que o viajante que planeja chegar na Itália faça bom uso dos 30 minutos de internet grátis que existem por ali e procure ser ágil o suficiente para conseguir encontrar a solução que estou prestes a dar: qual a melhor forma (e mais barata) de sair do aeroporto de Roma e chegar ao Roma Termini? Bom, eu tive que errar para aprender, mas no final tudo foi aprendizado.

Chegando a Roma pensamos que poderia ser mais em conta pegar o trem que parte do Fiumicino direto pro Terminal de Roma, infelizmente não estava em NYC (ainda não!). E diferente da Big Apple, acabou sendo bem mais caro ir de metrô do que apenas desembarcar e subir até o segundo nível, de onde partem vários ônibus de empresas diferentes rumo ao Roma Termini - definitivamente esta é a melhor forma de chegar ao centro de Roma: pegar o ônibus e pagar 4 euros na tarifa, uma econômia bem sensível quando comparada aos 14 euros cobrados na via férrea. Eu desembarquei perto da Via Manzoni e parti para o hostel Ciak, bem próximo de uma das principais atrações desta belíssima metrópole: o Coliseu...

Coliseu em um dia chuvoso
Coliseu em um dia chuvoso

Foi chegar no hostel, fazer checkin, tomar um banho e esquecer as mais de 24 horas em deslocamento. Sabe aquele formigamento que dá nos pés ao chegar em um lugar novo? Pois é, aconteceu aqui em Roma também. Partímos sem destino e sem planejamento algum para por a prova essa falta de acessibilidade romana nas ruas. No mais foi fácil encontrar várias pessoas que falavam inglês e que estavam prontas para dar uma ajudinha no roteiro, mas também me surpreendi ao ver que em vários lugares públicos, com gente local, nativos romanos, que boa parte deles arranha o inglês e que não fazem tanta questão em lhe escutar quando começava uma conversação em outra língua diferente do italiano. Para ser sincero até mesmo o espanhol soou mais gentil aos ouvidos nativos do que a língua inglesa.

Seguimos literalmente perdidos pelas ruas do centro de Roma. Como auxílio apenas de um mapa impresso retirado às pressas na recepção do hostel e um iphone com alguns porcentos de bateria ainda, quase por acabar. De rua em rua, impressionado com a gradiosidade das construções que íamos encontrando pelo caminho, chegamos numa praça que mereceu uma maior atenção, primeiro para apreciar a magnitude da Basílica de São João de Latrão, localizada nesta praça, chamada Giovanni Paolo II, mas em um segundo momento para surpreender-se com os sabores fantásticos dos doces e chocolates caseiros que podem ser encontrados em uma feirinha local que por ali estava. Foi difícil decidir entre qual guloseima experimentar, afinal de contas essa seria a primeira comida verdadeiramente europeia que eu iria experimentar. O preço? Menos de 1 euro por folhinha de chocolate com cobertura de pistachio.

Basílica de São João de Latrão e sua feirinha de doces
Basílica de São João de Latrão e sua feirinha de doces

Enquanto me entupia com aquelas folhinhas de chocolate que mais pareciam um pedaço de nuvem crocante espedaçando-se em minha boca, sentei nas escadarias para apreciar um pouco da beleza arquitetônica de uma das mais importantes igrejas da capital italiana. A Basílica de São João tem como nome principal em italiano Archibasilica Sanctissimi Salvatoris (Arquibasílica do Santíssimo Salvador) e é basicamente a mãe de todas as igrejas católicas, simplesmente a Catedral do Bispo de Roma, ninguém menos do que o próprio Papa; ela é de propriedade do Vaticano, mas fica fora dos limites da cidade-estado. Ainda escreverei muito mais sobre o Vaticano e relatarei em detalhes a minha experiência por lá. Depois de deliciar-se com a cultura, história e gastronômia local, voltamos pelas ruas molhadas de um finalzinho de tarde frio em busca de mais lugares para se surpreender antes de voltar definitivamente para o hostel afim de repousar o corpo cansado da viagem.

Caminhando e fotografando as belas ruas do centro de Roma
Caminhando e fotografando as belas ruas do centro de Roma

E ao caminhar era preciso estar atento aos detalhes. Ao cair da noite uma nova Roma foi se revelando a nós, tão turistas, caminhando nos arredores do antigo Fórum Romano. Foi interessante observar as ruínas do Forum com o cair da noite, mas eu ainda estava na expectativa de poder reconhecer estas mesmas ruínas em um dia de céu azul, que por sorte acabei conseguindo, no fim da minha viagem.

Àqueles que ainda possuem uma viagem por fazer, recomendo que dediquem alguns minutos dos seus dias pré-viagem estudando a história por trás de cada uma das atrações que deseja visitar. Isso pois não é em todo lugar que você encontra explicações em línguas diferentes do italiano, então acaba entrando, conhecendo lugares impressionantes e se perguntando sobre a história, e só tem condições de realmente entender o que foi visto depois de uma pesquisa na internet. Para não perder esse tempo todo pesquisando enquanto visita os lugares, faça diferente do que eu fiz: estude os lugares que quer conhecer, trace um roteiro personalizado e siga-o ao desembarcar nesta cidade, evitando assim a perca dos destaques que merecem sua visita.

E antes de voltar para a região do Coliseu, que ficava próxima algumas quadras da Via Manzoni e nossa "casa" em Roma, ainda deu tempo para visitar um lugar verdadeiramente explêndido: a Basilica de San Pietro in Vincoli (Basílica de São Pedro Acorrentado)

Interior da Igreja de San Pietro in Vincoli
Interior da Igreja de San Pietro in Vincoli

Cheguei nessa atração já com o dia escuro. Esta é uma construção datada do ano 431, dedicada a São Pedro e São Paulo que possui um legado cultural/artístico impossível de ser mensurado em finanças: além das pinturas expostas nas paredes, teto e laterais desta igreja, também é possível contemplar o túmulo de Júlio II, construído por Michelangelo, obra que possui como figura protagonista a estátua de Moisés.


Pinturas na Igreja de San Pietro

Já era tarde depois que saímos da Igreja de San Pietro e ainda decidimos explorar um pouco mais algumas das áreas de maior destaque na capital italiana antes de voltar para nossa solução de hospedagem. Eis que marcamos no GPS a direção da Fontana de Trevi ainda com o restinho de bateria que faltava. Passamos caminhando por um longo túnel, caminhamos várias quadras por ruas estreitas apenas para pedestres e eis que quando chegamos no local indicado uma leve brisa começou a cair, despencando a temperatura exatamente no momento em que avistamos a mais bela fonte que já apreciei em toda minha vida, a fonte de Trevi.

Fontana de Trevi, uma das principais atrações de Roma
Fontana de Trevi, uma das principais atrações de Roma

Prometi a mim mesmo que este era outro lugar que estaria na minha lista de retornos, pois queria muito contemplar aquele explêndor todo com luz do dia e céu azul. Partímos então de volta em uma caminhada que durou breves 45 minutos, admirando as luzes nas construções, tentando esconder da forma que dava da chuvinha fina que persistia em cair, chuvisco esse que se transformou numa marca registrada das minhas primeiras impressões na Itália. Quando chegamos às proximidades do Coliseu, ainda fiz questão de tomar alguns minutos do tempo para fotografar a luz dos carros na movimentada Via Celio Vibenna (foto de capa dessa matéria) de onde encontrei a posição ideal para capturar mais duas fotos, estas mesmas que compõem a montagem a seguir, o coliseu e silhueta de alguns turistas contemplando o Arco de Constantino naquela noite fria e chuvosa em Roma.

Coliseu e o Arco de Constantino no fim da noite
Coliseu e o Arco de Constantino no fim da noite

Depois disso parti de volta ao hostel para repor as energias, as baterias das câmeras/smartphones e também para planejar o tempo que ainda tinha na Itália, não queria me sentir tão perdido como havia sido nesse primeiro dia. Por incrível que pareça, apesar de não ter planejado nada para esse primeiro dia em Roma, parece que essas poucas horas ainda sob os efeitos do jet-lag me renderam excelentes primeiras impressões, não é mesmo?! E o dia seguinte foi um domingo, também chuvoso e de missa papal no Vaticano! Na próxima matéria sobre essa viagem você será convidado a conhecer as ruas da cidade-estado que reside no interior de Roma. Vamos juntos?! Continue seguindo de perto nossas atualizações!

Luiz Jr. Fernandes
Autor

Luiz Jr. Fernandes

Analista de TI, empresário, fotógrafo e viajante.
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