Qual a forma mais fácil de viajar de Cape Maclear a Zanzibar?

Era essa a pergunta que eu me fazia constantemente quando me vi no fim da viagem em Cape Maclear e tendo pouquíssimo tempo para conseguir chegar a Zanzibar a ponto de desfrutar melhor das atividades oferecidas aos turistas que visitam essa ilha na Tanzânia.

Depois daquela caminhada emocionante entre os locais que habitam as margens do grandioso Lago Malawi em Cape Maclear, foi preciso uma determinada preparação emocional para enfrentar os próximos kilômetros desta viagem pelo Sudeste da África. Nós tinhamos ainda pouco mais de 10 dias antes de voltar para o Brasil e estávamos nos cafundós do Malawi. Era preciso planejamento e destreza para enfrentar a viagem por terra até Zanzibar. Nosso próximo destino na Tanzânia seria a ilha de Zanzibar, e nós estávamos a mais de 2.000 kilômetros de distância.

Na noite anterior ao início do deslocamento nos certificamos de que realmente era impossível fazer a viagem via aeroporto de Lilongwe, devido aos custos estratosféricos das passagens de avião por aquelas bandas (ainda mais por ser tudo de última hora). O plano era simples: comer algo gostoso na noite anterior, preparar as mochilas e seguir da forma que tivessemos condições, conhecendo bem nosso itinerário e sabendo que nosso objetivo seria cruzar de sul a norte o território do Malawi até adentrarmos a Tanzânia fazendo um stop over em Mbeya, a metade do nosso caminho. Só não sabíamos dos perrengues que teríamos que enfrentar para vencer as distâncias no Malawi até chegar na Tanzânia.

Guecko Lounge em Cape Maclear - Malawi
Guecko Lounge em Cape Maclear - Malawi

Se você acompanhou de perto os outros posts dessa série, sabe muito bem das dificuldades em vencer as distâncias por terra viajando na África. O grande problema é conseguir fazer a viagem render, desde que as vans/lotações sempre fazem paradas demais e andam completamente lotadas. Se não está lotada, então não segue a viagem, aguarda mais alguém por perto querer seguir o caminho junto. É bem complicado e sinceramente foi a parte mais sofrida da viagem. Nossa primeira condução foi a boléia de uma caminhonete. Por cerca de 50 centavos de dólar saímos de Cape Maclear e ficamos em Monkey Bay para seguir dali adiante de VAN. E buscamos uma van que ao menos fizesse o trajeto até Lilongwe (a capital do país) da forma mais direta possível. Foi o maior pinga pinga em uma viagem de toda minha vida.


De Cape Maclear até Monkey Bay no Malawi

Os motoristas das vans são muito descompromissados com o tempo. Não fazem questão alguma de seguir adiante se não estiverem com seus veículos lotados. Param para conversar no meio do caminho. Esperam o próximo passageiro por horas se for preciso. Isso quando não cobram o preço da passagem pela cor da sua pele. Eu senti a discriminação às avessas por conta da cor da minha pele, e era preciso bastante jogo de cintura e boa conversa para convencer que independente da minha cor, credo ou nacionalidade, que o serviço dele era o mesmo para ambos e que não concordava em pagar a mais só por ser diferente. Por horas foi preciso discutir, quando não abandonar de vez a condução e tentar encontrar outra que passasse louca em busca de um novo passageiro. Demoramos mais de 8 horas para voltar a Lilongwe, chegando no terminal rodoviário principal da cidade por volta das 4 da tarde (nós saímos do Guecko Lounge às 7 da manhã!)

Em uma VAN a caminho de Lilongwe - Malawi
Em uma VAN a caminho de Lilongwe - Malawi

Uma vez no caótico terminal rodoviário desta metrópole africana, decidímos que a melhor forma de viajar seria romper no primeiro ônibus que estivesse de partida para o norte do país. Por sorte conseguímos encontrar um verdadeiro pau de arara que partiria ainda às 7 da noite rumo à fronteira com a Tanzânia, chegando lá apenas no outro dia pela manhã. Foi a pior viagem de ônibus que eu já vivenciei em toda vida. Horas e mais horas chacoalhando em um ônibus chino, os piores na face da Terra, com lugares para três pessoas onde apenas duas mal conseguiam se encaixar. Dificuldades a parte, conseguimos chegar na fronteira no dia seguinte na hora do almoço. Almoçamos arroz com feijão e frango por ali mesmo, para depois disso seguimos viagem até Mbeya em uma van tanzaniana, com um pouco mais de conforto. Viajar na África não é fácil...

Luiz Jr. Fernandes
Autor

Luiz Jr. Fernandes

Analista de TI, empresário, fotógrafo e viajante.
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