Viagem para o Irã: dicas e informações de quem aprendeu na prática

Dicas para você que planeja uma viagem para o Irã. Aprenda os macetes para tirar o visto, trocar moeda, hospedagens, transporte, alimentação e muito mais.

Neste exato momento escrevo pra vocês de dentro do ônibus que me levará de Isfahan para Yazd, duas das mais importantes cidades no Irã. É isso mesmo! Eu estou no Irã! Aqui gostaria de expressar um pouco das minhas primeiras impressões sobre esta diversa nação. Venho compartilhar com vocês algumas das minhas primeiras dicas de viagem para o Irã, informações interessantes que revelam detalhes únicos que conseguimos aprender aqui na prática enquanto viajamos de uma cidade pra outra.

De fato encontramos um país de povo pacífico e amigável, de paisagens diversas e de fato impressionantes e de um custo de vida de fazer com que a gente fique abismado com os valores que pagamos em outros destinos do mundo. De fato esse é um dos países mais baratos para viajar que um dia já consegui visitar. Conseguiu superar Filipinas, México e até mesmo vários países da África que já conheci (como Egito, Tanzânia, Malawi) e tantos outros da Ásia (até mais barato do que Tailândia e Vietnã).

Dicas de viagem para o Irã

Tenho tanto o que escrever sobre o Irã em tão pouco tempo nesse país que confesso que de fato é preciso materializar os posts enquanto nos deslocamos de uma cidade para a outra. O ônibus que pagamos cerca de 2 dólares para nos levar em uma viagem de mais de 3 horas entre Isfahan e Yazd vai deslizando rapidamente pelas rodovias de alta velocidade impecáveis, de fato a estrutura de rodovias e rodagem no Irã tem nos impressionado.

Em um país onde é possível comprar 50 litros de diesel com apenas 1 dólar, estamos percebendo que a forma mais eficaz e inteligente de se deslocar de fato é via ônibus. Cortamos o país quase que de ponta a ponta pagando ao todo menos de 10 dólares. Algo mais do que espetacular para um destino tão enigmático e desconhecido da realidade de todo o mundo.

viagem para o Irã
Grande Mesquita Abbasi em Isfahan

Chegamos no Irão acreditando que era um país de fato econômico, contudo cheio de dicas e macetes para conseguir ser vivido em plenitude máxima. Passamos vários dias planejando uma viagem que de fato demonstraria a nós mesmos que planos são feitos para serem frustrados, reestruturados e então vividos da melhor maneira possível ao estilo único de cada lugar que conhecemos. Aqui acreditamos que era melhor comprar um voo e viajar de Teerã diretamente a Shiraz, contudo os planos mudaram antes mesmo de serem executados.

Em nosso primeiro dia na chegada ao Irã acabamos perdendo o voo comprado na chegada ao país - por meros 20 dólares - e fomos forçados a estruturar um novo itinerário, que de fato acabou ficando melhor do que a gente havia planejado antes.

Fica aquele certo receio de viajar pra um lugar remoto como o Irã, embargado pelos Estados Unidos já há tantos anos, que parece ser um dos destinos mais fechados da sua região no mundo, entretanto que estamos conhecendo vagarosamente e ficando impressionados com cada dia que passa nessa viagem espetacular. Existiam diversas dúvidas pra conseguir o visto de entrada no Irã antecipado, contudo hoje eu vou contar pra vocês como foi que a gente fez, é super tranquilo!

Tirando o visto de viagem para o Irã

viagem para o Irã
Viagem para o Irã: Isfahan, no Irã

Existem duas formas pra conseguir um visto de turismo para viajar ao Irã. Você pode fazer a solicitação formal à Embaixada Iraniana em Brasília, ou então pode deixar para conseguir o visto na chegada ao aeroporto de Teerã (ou das principais cidades onde chegam voos internacionais). De fato a burocracia é reduzida bruscamente pra quem opta pelo visto na chegada, desde que boa parte do "lerê" envolvido em ir até Brasília pra tirar esse visto acaba fazendo com que a retirada do visto antecipadamente acabe ficando bem mais caro.

Antes de viajar pro Irã, ainda no Brasil, nós reservamos uma diária apenas. Única e exclusivamente para o dia da chegada. Eu recomendo que você tenha um plano de viagens estruturado antes de realizar uma viagem para o Irã, que você não esqueça o certificado de vacinação internacional (não me pediram, mas vai saber né!) e a passagem de volta (ou de saída) do país impressa para o momento da entrevista de retirada do visto no aeroporto de Teerã. É preciso ter um seguro viagem obrigatório, não são todos os tipos de seguro que cobrem o território iraniano, contudo você também pode comprar um seguro viagem pro Irã dentro do aeroporto, logo antes de pagar pelo visto. Ah, e por falar nisso né, nós brasileiros temos que pagar 80 euros pelo visto de turismo pro Irã.

Depois de fazer todo o trâmite requerido para adquirir o visto na chegada, ficamos em uma sala reservada antes da imigração para a emissão do visto, onde apresentamos nossos documentos, reservas de hotel, certificado do seguro (adquirido na hora) e com o recibo da taxa de emissão do visto devidamente quitado em euros. Um agente ficava orientando a todos sobre como proceder. Um outro agente veio até nosso grupo e fez algumas perguntas para saber quais eram os propósitos da nossa viagem. Tudo super tranquilo, sempre muito cordiais, contudo é um pouco tenso né, afinal de contas a gente poderia ter o visto simplesmente negado e teríamos um problemão pra resolver de última hora. Mas foi tudo SUPER tranquilo.

Custos básicos de uma viagem para o Irã

Ponte Si O se Pol em Isfahan - viagem para o Irã
Viagem para o Irã: ponte Si O se Pol em Isfahan

Com o visto eletrônico emitido, aguardamos 5 minutos e atravessamos a imigração. Não recebi nenhum carimbo em meu passaporte, não ficou nada documentado por ali, segundo eles era tudo digital agora. Pois bem, uma vez recolhida a bagagem, começou a outra etapa do deslocamento, chegar até nossa alternativa de hospedagem. Passamos nossas bagagens pela fiscalização de aduana, que escaneou todas as bagagens com raio X. Tudo tranquilo até então, nenhum problema pra chegar até a parte de fora do aeroporto, contudo no momento que chegamos ao saguão de entrada do Aeroporto Internacional de Teerã (IKA), começamos a compreender um pouco mais sobre o que nos aguardaria nos próximos dias.

Acredito que mais de 10 pessoas nos abordaram tentando ajudar com táxi, oferecendo-se para trocar moeda, tentando "auxiliar" de qualquer forma possível. Nós fomos diretamente ao piso superior (onde é feito o embarque) e trocamos dinheiro em uma casa de câmbio oficial que existe ali em cima. Pagamos uma cotação média de 132.000 riais iraniano para cada euro. A coisa complica né, pq com menos de 10 euros você já se converte em um "milionário no Irã". Por conta da inflação elevada a moeda derreteu. Foi preciso criar uma nova nomenclatura pra facilitar as contas altas, foi ai que surgiu o Toman, uma variação do Rial Iraniano onde corta-se um zero no valor. De fato as contas ficam mais simples, porém gera-se uma confusão na cabeça do viajante, que algumas vezes não conseguem compreender se um preço está em rial ou toman, é uma bagunça nos primeiros dias, contudo aos poucos vai se acostumando. Basta lembrar que com menos de 150.000 você tem um euro.

Riais Iranienses - viagem para o Irã
Riais Iranienses

A moeda pode dar um nó em cérebro de qualquer professor de matemática, ainda mais se você precisar pensar muito rápido. É só relaxar e compreender se algo está muito barato, de fato pode estar sendo listado em Tomans. Nesses últimos dias nosso custo mais elevado está sendo unicamente com hospedagem. Comer é quase de graça. Raramente nossas refeições ultrapassam a casa dos dois euros. As hospedagens costumam ser em média 15 euros em quartos com camas de solteiro (ou com uma cama de casal) e o país é repleto de estrutura hoteleira de muito boa qualidade. Existem muitos hostels nas principais cidades, que mais parecem hotéis 3 estrelas com o custo irrisório pra nós brasileiros acostumados a pagar centenas de reais por diárias em hotéis do nosso próprio país.

Outro detalhe significativo está relacionado aos táxis. É importante perceber que em um país com combustível tão barato os custos que dependem de deslocamento terrestre desabam! É possível rodar por horas em um táxi dentro das ruas das principais cidades pagando apenas 1 ou 2 dólares. Esse valor diluído em um grupo de viajantes pode ficar na casa dos centavos de real :D Ainda vamos tentar utilizar essa estratégia com táxis para conhecer algumas atrações regionais próximas a Shiraz e Yazd, depois conto tudo como foi.

O que fazer no Irã, quais cidades conhecer!?

E por falar no que fazer no Irã, bem meus estimados amigos(as), tem tanto pra fazer que uma semana ou duas pode não ser o suficiente pra conseguir conhecer as principais cidades e atrações. Tem muito a ser visto em Teerã, incluindo estações de esqui, monumentos históricos, mesquitas de arquitetura singular. Tem outro mundo de atividades que podem ser realizadas na antiga capital do Império Persa, a cidade de Isfahan, de desertos a montanhas nevadas. Agora estamos indo pra Yazd, outra cidade famosíssima por suas atrações no meio do deserto, vamos gastar um ou dois dias por ali para depois romper rumo ao destino final nessa viagem, a cidade histórica de Shiraz, ponto base para explorar Persépolis, Pasárgada e vários vilarejos rústicos, antigos, únicos!

Tochal em Teerã - viagem para o Irã
Viagem para o Irã: Tochal, montanha com gelo e neve em Teerã

Acontece mesmo é que esse país é repleto de história, cultura e paisagens espetaculares. Em menos de 3 dias já passamos por montanhas, já atolamos na neve até a cintura, visitamos mesquitas maravilhosas, exploramos bazares repletos de artesanatos, louças azuis coloridíssimas, prata, bronze e até ouro. Boa parte da viagem ao Irã vai estar conectada diretamente com a imersão cultural desta República Muçulmana. Aqui não tem álcool disponível pra venda. Tem várias marcas de cerveja, contudo são todas 0 álcool. Nos supermercados não tem vinho, não tem vodca, não tem licor. Isso é bem interessante pra gente que vem de um país onde a cultura do álcool é tão associada à normalidade. Mulheres devem usar sempre um lenço na cabeça e devem cobrir o pescoço e colo. Os homens não devem usar bermudas, o que é super conveniente para o frio que estamos vivendo no inverno iraniano.

Quando o povo pergunta da onde a gente veio e falamos que somos brasileiros, não há UMA pessoa sequer que não escancare um belo sorriso no rosto, começando imediatamente a balbuciar nomes de jogadores de futebol brasileiros, sempre agradecendo por falar com eles, por dedicar alguns momentos da viagem para compartilhar a sua realidade com a deles. Enquanto escrevo ainda sigo na rodovia que conecta Isfahan a Yazd. Pista dupla. Um tapetão liso, sem buracos e com uma paisagem desértica que parece anunciar um pouco daquilo que estamos prestes a viver nos próximos dias.

Riqueza de detalhes nas louças expostas no Bazaar de Isfahan
Riqueza de detalhes nas louças expostas no Bazaar de Isfahan

Parece que quanto mais nos afastamos dos grandes centros, mais estamos expostos à uma realidade humilde, sem estrutura financeira, mas que conta com uma espetacular estrutura proporcionada pelo governo. Rodovias sempre iluminadas, muito bem conectadas. E assim seguimos nosso caminho rumo a Yazd, um lugar que parece ser atração mandatória para quem visita o Irã com tempo suficiente - e um grande pecado seria passar por um país tão diverso com menos de uma semana pra conseguir explorá-lo melhor.

Segurança e perigo em viagem para o Irã

Ponte Khaju em Isfahan
Viagem para o Irã: ponte Khaju em Isfahan

Sabemos dos conflitos atuais entre o Irã e vários países do mundo, sabemos bem do embargo estado-unidense e de todas as acusações que apontam este país como um enriquecedor de urânio para fins bélicos. Também ficamos perplexos com cada pergunta que nossos amigos e familiares fizeram antes dessa viagem: "Mais vai pro Irã fazer o quê!?", "o país não está em guerra!", "não é perigoso ir pro Irã", "vai ser caro!", "vocês são LOUCOS!" hahaha, tem que rir né gente...., a ignorância afasta a realidade, faz com que as pessoas se acomodem e não busquem conhecimento real sobre lugares que não estão à frente de seus olhos. Até concordamos que pode ser bem difícil entender a realidade de um lugar sem antes chegar até ele, contudo a gente fez a lição de casa super bem! Passei horas lendo em blogs estrangeiros sobre questões relacionadas a segurança, transporte e deslocamento, câmbio e dinheiro, ameaças diversas e tudo mais.

Para mulheres viajando sozinhas ou acompanhadas: não cheguei a ver mulher viajando sozinha, contudo no nosso grupo tem uma mulher que é irmã de um amigo e tudo está super tranquilo, todos a respeitam super bem, a única exigência é o uso do lenço cobrindo a cabeça e roupas respeitáveis que não coloquem em evidência o corpo feminino. Outra dica que posso relacionar aqui para mulheres viajando sozinhas no Irã é para que vocês aproveitem o país, é um dos lugares mais incríveis (e baratos) que já visitei na vida!

Para famílias com crianças: é super seguro, basta alugar um quarto privado e pedir camas adicionais pra ficar todo mundo junto. Acredito que este é um país diverso e super econômico pra quem vem com a família. Basta ter um plano de viagem em mente e executar da maneira mais fluida possível. Planeje os lugares que deseja visitar, deixe os hostels (ou hotéis) reservados antecipadamente, aproveite para marcar em um mapa as atrações que não pode deixar de fora e vivam cada minuto como se não houvesse um amanhã.

viagem para o Irã
Viagem para o Irã: no topo da estação Tochal em Teerã, no Irã

Para mochileiros no modo extra-econômico: vocês que são mochileiros e querem viajar pro Irã, meus prezados(as) amigos(as), vocês vão ficar abismados com os custos, é TUDO EXORBITANTEMENTE BARATO! Um lanche rápido fica menos de um euro (comprei um hamburguer gigante antes da viagem por cerca de 0.8 cents de euro), deslocamentos de 8 horas em ônibus VIP por 4 dólares, restaurantes servindo refeições completas por menos de 2 dólares. Pode parecer tudo mentira, tudo ilusão, mas é tudo a mais pura verdade pessoal, é um dos países mais baratos do que eu já visitei em toda minha vida!

Concluindo..., a viagem aqui ainda vai longe, acredito que mais umas 2 horas e 30 minutos até chegarmos a Yazd, a cidade base para explorar alguns dos principais e mais exóticos desertos do Irã. Vamos rompendo por aqui e ainda temos mais 3 dias completos antes de partir pro próximo destino. Prometo que esta viagem ainda vai render vários posts lindíssimos pra vocês se convencerem de que o Irã é de fato um dos países que valem a pena entrar pro seu próximo roteiro de viagem.

Luiz Jr. Fernandes
Autor

Luiz Jr. Fernandes

Analista de TI, empresário, fotógrafo e viajante.
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