Escrevo esse breve texto sentado na poltrona 37F do voo da United 1428, que parte de Los Angeles 08:23 da manhã com destino a Honolulu no Havaí, voo este que eu não deveria estar participando, desde que perdi a conexão apertadíssima (apenas 30 minutos) do voo que me trouxe aos Estados Unidos com a Copa Arlines. Este é mais um manifesto de revolta do que um texto que narrará uma aventura, ou qualquer experiência viajante que eu possa vir a ter até então.

Embarquei 03:00 da manhã do dia 5 de feveireiro de 2013 para uma viagem que estamos batizando por #AlohaTour; serão 15 dias entre as ilhas havaianas de Oahu, Maui e Big Island. A Copa, soberana no meu bilhete, resolveu mudar a minha conexão no Panamá para um voo um pouco mais tarde, antes eu sairia do Panamá as 7 da manhã rumo a LA, mas com a mudança parti as 11 da manhã e desembarquei exatamente as 16:10 em LA. Eles sabiam no ato da mudança que eu perderia meu voo para Honolulu, mas sabem como são os gigantes, pouco se importaram ou sequer me avisaram, deram suporte ou assistência antes dessa mudança. Eu deveria ao menos ter sido comunicado que meu voo tinha sofrido essa variação e que eu provavelmente não conseguiria chegar a tempo de fazer a última conexão.

Cheguei abafadão, com medo de perder a conexão e me separar da bagagem. Fiz questão de ser o mais rápido possível na dura tarefa de desembarcar de um voo internacional lotado, correr para tentar ser um dos primeiros a cruzar a fronteira da imigração e ganhar o carimbo, esperar as bagagens chegarem, recolher a minha mochilona, ir até a aduana, declarar que não tinha nada, devolver a bagagem na esteira que faz a conexão e sair correndo para pegar um novo cartão de embarque no terminal 7 da United – a propósito, esse terminal ficava a mais ou menos dois kilômetros de onde desembarquei – LAX é gigantesco. Era uma tarefa MUITO complicada para ser realizada em 10 minutos, desde que o checkin fecha 30 minutos antes do voo. Ou seja, a minha bagagem foi pra Honolulu, mas eu fiquei no checkin da Copa até 10 da noite, tentando corrigir o problema, provar que eles foram negligentes comigo.

Foi uma luta provar que eu não tinha culpa e merecia a assistência deles. A colaboradora da COPA que estava me atendendo no checkin tentou por todas as alternativas possíveis convencer-me que eu fui errado, que eu não havia chegado a tempo, que o voo não tinha atrasado e que portanto eu deveria comprar um novo ticket se quisesse buscar minha bagagem em Honolulu – foi como cutucar uma onça com a vara curta – com muita classe e elegância, apesar da fadiga de dois voos e tanto tempo preso no checkin para tentar resolver aquela situação, comecei a provar a ela em espanhol que a COPA havia mudado meu voo no Panamá e que eu não era culpado por isso, que quando adquiri a passagem (por milhas Lifemiles, emitidas na TACA/Avianca) eu havia comprado um voo que partia do Panamá 7 da manhã, e que eles mudaram esse voo e por justamente esse motivo toda a confusão estava armada. Ela não se convenceu muito facilmente. Foi preciso pegar o papel impresso que comprovava que realmente eles haviam mudado o voo – agora vejam bem prezados leitores, como é que nesse ano de 2013 eu ainda preciso ficar carregando papel impresso para comprovar as coisas (é claro pois o telefone estava sem bateria, o notebook também e eu precisava provar as coisas meio que preto no branco).

Finalmente ela pediu licença, saiu por alguns minutos e voltou com um formulário, meio que conformada de que realmente a cia aérea era a culpada pelo atraso e que consequentemente sabiam que não seria possível fazer tudo aquilo em 10 minutos. Ela preencheu rapidamente me dando as orientações de que nesse caso exclusivo iria resolver a situação, mas deixou bem claro que o emissor era a TACA e que eu deveria ligar para o call center deles e que ELES deveriam corrigir o problema, mas quem mudou o voo e foi a COPA no Panamá, e sendo assim, a culpa não era minha, tampouco da TACA/Lifemiles. Eles teriam que resolver a minha situação. Munido de uma autorização da Copa que me permitia uma diária, jantar e café da manhã no Hotel Hacienda, fui para o ponto do “free shuttle”, já passava das 10 da noite quando cheguei no hotel.

Fiz o checkin no Hacienda, fui para o quarto, tomei um banho revigorador e comecei a trabalhar. Isso mesmo, fui trabalhar para o bem do meu escritório de desenvolvimento web. A vida de empresário viajante definitivamente não é só feita de paisagens e aventuras. E é desse fato que quero lhes falar agora. Prestes a viajar para os Estados Unidos com um ticket que havia sido emitido em setembro de 2012 (estamos em fevereiro de 2013), comecei a sentir uma gigantesca latência no carregamento de vários projetos que mantemos lá na DOTES. Não bastasse a pressão comercial do momento prestes a viagem, no qual fechamos outros dois grandes serviços para esse ano, experimentei e continuo sofrendo com essa complicação no servidor. Não há suporte, ligações, emails ou qualquer ação que eu tome que faça com que a latência se resolva – isso é um problema no data center no qual possuo um computador alugado para manter os projetos que desenvolvemos. Acreditem, dois dias antes de viajar todos os sites estavam fora do ar, inclusive esse blog de viagens. E mais uma vez não foi por culpa do dono do negócio – eles simplesmente resolveram mudar a minha conta para um outro computador e apenas recebi o comunicado quando isso já havia sido feito, um dia antes de viajar para os Estados Unidos. Neste novo servidor estamos sofrendo bastante, pois muitas das vezes os sites estão fora do ar, justamente por problemas de estabilidade que saem da minha ouçada. Agora o que poderia fazer eu, um dia antes de um voo internacional emitido seis meses antes? Abortar um planejamento de seis meses? Cancelar os outros 9 voos que eu havia adquirido para conhecer outros destinos dentro desse país? Abrir mão de tudo para tentar monitorar de perto algo que não posso fazer muito a não ser cobrar soluções? São muitas as perguntas ainda sem respostas na mente desta pessoa que vos escreve. E o que poderia fazer eu? Prevalece ainda esse grande sofisma (falso sentimento) de que eu estaria abandonando a embarcação no meio de uma tormenta.

Para complicar ainda um pouco mais a situação, estamos sofrendo com alguns clientes que possuem softwares antigos, sistemas de gerenciamento de conteúdo desatualizados (tal como o joomla e wordpress), e consequentemente os hackers fazem a festa. Então some os voos perdidos, problemas com cias aéreas, cansaço acumulado, instabilidades nos meus projetos profissionais e está pronto a bomba relógio que explodirá com as férias planejadas de um empresário que carrega nas suas costas a responsabilidade de mais de 50 clientes online. Ainda assim sigo adiante, aproveitando cada centelha de wi-fi, cada momento de inatividade “zumbística” para produzir de alguma forma – seja escrevendo matérias como essa, ou tentando apagar o fogo que queima no meu servidor a pouco mais de uma semana. Ainda assim, sobra-me fôlego para planejar – acreditar que tudo não passa daquele pequeno e breve instante de pressão que precede grandes realizações na nossa vida pessoal.

Enquanto vejo o mar azulíssimo do Pacífico passar por baixo do avião, aprecio as belas nuvens espaçadas acreditando na idéia de que tudo não passa dessa breve pressão e que ao chegar no Havaí, tudo vai se resolver e terei a oportunidade merecida de desfrutar intensamente desses momentos planejados com tanta cautela para serem de prazer e satisfação e não de sofrimento, angústia e receio, que inundam a minha alma nesse breve momento. Sobre os projetos, existe gente capacitada trabalhando nesse momento para resolver as situações de emergência. Quanto a minha bagagem, ela já deve estar em algum canto empoeirado do HNL International Airport. Quanto a mim, um pouco renovado pela banho+noite dormida ontem (mesmo que apenas 4 horas). Quanto ao Havaí, apenas resta a angústia de chegar logo, conhecer o albergue que me hospedará pelos 4 primeiros dias e o desejo intenso de me jogar na água logo e viver tudo o que me está devidamente reservado para esse momento da minha vida.

Desculpem se o texto se estendeu um pouco, mas realmente isso era pra ser um manifesto de revolta, mais do que uma história narrada de uma experiência em viagens internacionais. Aqui eu manifesto a minha ira contra os breves momentos que precedem grandes e IMPRESSIONANTES momentos que viverei. Aqui eu deixo registrado a minha revolta por não conseguir manter as coisas em seus devidos lugares mesmo não estando próximo. Neste texto eu compartilho com vocês um pouco da angústia que a minha alma vive a exatos 800 km por hora. Não há vitória sem luta e a missão dada por aqui é sempre cumprida. Não deixaria nunca de realizar uma viagem tão planejada quanto essa exclusivamente por conta dessas dificuldades profissionais. E isso tudo é para mostrar que a rapadura é definitivamente doce, mas não é mole. Enfim, te vejo em Honolulu, na ânsia de ver tudo se resolvendo sem muita complicação e que eu possa finalmente começar a viver as boas experiências que todos gostam tanto de ver compartilhadas por aqui. Grande abraço e como sempre BOA VIAGEM!

PS: a propósito a foto que ilustra esse post foi feita entre o terminal 3 e 4 do LAX.

Autor
Luiz Jr. Fernandes
Luiz Jr. Fernandes
Sou um analista de sistemas, fotógrafo, autor deste blog e viajante profissional. Já conheci mais de 70 países em todos os continentes do mundo. As minhas matérias são 100% exclusivas, inspiradas em experiências reais adquiridas nos destinos que visito. Obrigado por ler e acompanhar o meu trabalho.
Comentários do Facebook

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.