De volta a Stone Town para a despedida de Zanzibar

Durante 4 dias exploramos as impressionantes facetas de uma das ilhas mais paradisiacas do leste africano. Depois de conhecer Nungwi, Mnemba e Matemwe, estávamos de volta à Stone Town afim de realizar os últimos passeios antes da despedida de Zanzibar.

Nós exploramos os roteiros menos turísticos em Zanzibar. Encontramos praias incrivelmente desertas, vivenciamos a realidade da colheita de algas pelos nativos de Matemwe, nos hospedamos em um resort all-inclusive na costa nordeste, fazendo-o de base perfeita para as nossas visitas a Nungwi, a praia mais bela desta ilha - foram dois dias realmente muito intensos e mesmo sem conseguir mergulhar neste lado da ilha (nós mergulhamos perto da Stone Town), ainda conseguimos fazer um passeio de barco que nos levou até as proximidades da Ilha Mnemba, paraíso para os mergulhadores que se atrevem a submergir nas águas cristalinas do Oceano Índico. Enfim era hora de voltar à realidade, nossos 30 dias na África estavam chegando ao final.

Nossa estratégia para voltar ao continente e maximizar nossa temporada em Zanzibar foi bem interessante. Compramos os tickets para o slow ferry, chamado de Flying Horse, a forma mais econômica de viajar entre Dar Es Salaam e Stone Town. A boa parte é que esta embarcação demora quase 8 horas para conseguir vencer a distância que conecta a ilha ao continente, sendo a opção perfeita para quem deseja salvar uma pernoite e chegar de madrugada na estação rodoviária mais caótica da Tanzânia. Enquanto nossa hora de partir não chegava, decidimos que seria interessante continuar a explorar as apertadas vielas da Cidade de Pedra em busca de souvenirs.

Última caminhada antes de partir da África
Última caminhada antes de partir da África

Nós já éramos experts nesse lugar, mérito voltado à Spice Tour que Sabry (Zanzibar Car Hire) nos ofereceu - já sabíamos quais eram os melhores comerciantes, conhecíamos as principais ruas de comércio e também as localizações dos principais restaurantes econômicos. Agora era matar o resto do tempo antes de partir de volta ao continente. E ainda era de manhã! Eu coloquei a GoPro para fazer fotos em sequência a cada minuto e partimos para uma caminhada. Sem rumos, sem grandes objetivos, reconhecendo os lugares e nativos que íamos encontrando em nosso caminho e para surpresa geral, alguns deles até chegavam a nos abordar pelo nome :)

Variedade de frutas e verduras em feira livre
Variedade de frutas e verduras em feira livre

Com tempo de sobra disponível, nos metemos em meio aos feirantes, caminhamos entre as pessoas mais simples, tentando absorver um pouco mais do modo de vida deste povo. Nesses últimos momentos nós fizemos um verdadeiro flashback da viagem, recordamos de todas as cidades que havíamos passado até então. Em pensar que dias atrás estávamos caminhando pelas ruas de Harare, ou mergulhando no Lago Malawi, foi uma tremenda jornada e depois de Zanzibar encararíamos a subida até o topo do Monte Kilimanjaro, também na Tanzânia.

Nessa última caminhada pela Stone Town, minha câmera parecia perseguir os locais. Em todos os cantos, por onde avistava-os, de fato exclusivamente buscava sempre o foco para as belas mulheres, algumas caminhando pelos mercados esbanjando elegância, outras na dura labuta da rotina diária.

Alguns nativos em uma feira
Alguns nativos em uma feira comercial

Voltamos ao mercado de pescados para assistir a um dos leilões que sempre rolam por ali. Na grande bancada haviam polvos, lulas, mariscos e alguns peixes bem grandes. Os locais como sempre gritavam e gesticulavam bastante, alguns sorriam ao notar nossa presença, outros estavam completamente compenetrados na qualidade dos lances e na expectativa pelo arremate dos melhores lotes.

Leilão de pescados
Leilão de pescados na Stone Town de Zanzibar

É claro que fiquei com água na boca e isso mesmo com o forte odor característico de lugares com pouca ventilação, muito calor e vários tipos de pescados expostos sem a refrigeração adequada, afinal de contas estamos na África e tudo por aqui é muito fresco e acaba sendo comercializado rapidamente.

E assim logo partimos para o arremate de nossa caminhada, nos perdendo em meio à qualidade das frutas e verduras, nos maravilhando com a beleza das cores das bancadas que certas vezes até pareciam estar configuradas por contraste de cor.

Feira de frutas em Zanzibar
Feira de frutas em Zanzibar

Ficamos perambulando pela Stone Town até o final do dia, procurando souvenirs e recordações para comprar, comendo pelas bancas de rua, interagindo pela última vez com os vendedores mais amigáveis, Zanzibar é um destino que sinceramente nos surpreendeu e que deixou marcas de saudade. Um lugar definitivamente que merece ser visitado mais de uma vez na vida.

Dala Dala - o transporte coletivo mais comum na Tanzânia
Dala Dala - o transporte coletivo mais comum na Tanzânia

Este post marca o fim de uma saga aqui publicada com exclusividade aqui para os leitores do blog. Em 55 matérias eu tentei ser o mais sensato e realista possível para espelhar em textos, vídeos e fotos, tudo aquilo que experimentei durante 30 dias em uma roadtrip que começou no Zimbabwe, passou pela Zâmbia e Malawi, chegando ao seu ápice no Kilimanjaro e Zanzibar, ambos destinos épicos da Tanzânia. Para completar a trip, viajamos para o Quênia por apenas um dia, nosso voo de volta para casa seria via Nairóbi. Só que antes de voar ao Brasil, eu ainda teria mais um dia para aproveitar a verdadeira pizza italiana, o resultado desse dia você confere por aqui muito em breve ;)

Luiz Jr. Fernandes
Autor

Luiz Jr. Fernandes

Analista de TI, empresário, fotógrafo e viajante.
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